Vacinação contra HPV cresce entre jovens, mas cobertura ainda fica abaixo da meta em Bauru
Por Redação SBR
Publicado em 09/03/2026 13:29
Bauru e região
Reprodução: Redes sociais

Dados referentes a 2025 divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde apontam que a cobertura vacinal contra o HPV (papilomavírus humano) entre meninos de 9 a 14 anos chegou a 74,78%, um aumento significativo em relação aos 47,35% registrados em 2022. Entre as meninas da mesma faixa etária, o índice também cresceu, passando de 81,85% para 86,76% no mesmo período. Apesar do avanço, os percentuais ainda não atingem a meta de 95% definida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

 

Em Bauru, o público estimado de crianças entre 9 e 14 anos é de 26.827. Em 2025, apenas 19.714 foram imunizadas, sendo 10.830 meninas e 8.884 meninos. O público-alvo inclui principalmente crianças dessa idade, mas adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não receberam a vacina também podem se vacinar até junho de 2026. O município não atingiu o índice de 95% de cobertura estabelecido pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria Estadual da Saúde, considerado ideal para ampliar a proteção coletiva contra o vírus.

 

“Ninguém pode ficar de fora das campanhas de conscientização. Eu incluo os homens, que também sofrem com tumores causados pelo HPV”, ressalta Luisa Villa, doutora em bioquímica e chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Centro de Investigação Translacional em Oncologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), em entrevista à Agência FAPESP.

 

A Secretaria Municipal de Saúde de Bauru tem intensificado estratégias para ampliar a cobertura vacinal. Entre as ações estão campanhas de vacinação em escolas, incentivo à imunização nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Saúde da Família (USF), além de busca ativa por adolescentes que ainda não receberam a vacina. Também são promovidas orientações às famílias sobre a importância da imunização na prevenção de doenças associadas ao HPV.

 

Entre os fatores que contribuem para a baixa adesão estão desinformação, dúvidas sobre a segurança da vacina, desconhecimento da faixa etária recomendada e baixa percepção de risco em relação às doenças provocadas pelo vírus. Vacinas destinadas a adolescentes costumam apresentar menor cobertura em comparação às aplicadas na primeira infância, período em que há maior acompanhamento da caderneta de vacinação.

 

“Hoje existem movimentos de desinformação importantes no país, mas a mulher presta muita atenção nas informações e conhece seu corpo. O problema é que às vezes ela não consegue ajuda no momento necessário. Às vezes sangra um ou dois anos e aguenta até que a dor a faz entrar em um ônibus, que demora horas pra chegar e, quando chega a um centro de saúde, muitas vezes já é tarde demais”, alerta Luisa Villa.

 

O HPV está associado a diversos tipos de câncer, como os de colo do útero, pênis, ânus e orofaringe. A transmissão ocorre por contato direto com pele ou mucosas infectadas e também por via sexual. A vacinação é gratuita e realizada nas Unidades Básicas de Saúde de todo o estado, com aplicação em dose única para crianças e adolescentes.

 

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