Família pede investigação após morte de bebê durante parto em maternidade de Bauru
Por Redação SBR
Publicado em 10/03/2026 21:50
Bauru e região
Reprodução: Redes sociais

Depois de cerca de 12 horas em trabalho de parto na Maternidade Santa Isabel, em Bauru, Tamires Chaves Brancaglião, de 37 anos, não pôde voltar para casa com a filha Sara. Mesmo com 40 semanas de gestação — requisito previsto em lei estadual e em resolução do Conselho Federal de Medicina — ela afirma que não teve respeitado o direito de optar pela cesárea. O procedimento teria sido realizado apenas quando os batimentos cardíacos da bebê já não existiam. Além da perda da filha, Tamires sofreu graves lesões internas e permaneceu internada por nove dias. Agora, em meio ao luto, a família cobra apuração para esclarecer se houve falhas no atendimento.

 

Em casa desde domingo (8), Tamires se recupera de uma cirurgia e precisa usar sonda vesical por 13 dias. Além das dores físicas causadas pelo rompimento do útero, perfuração da bexiga e uma hemorragia intensa, ela enfrenta o sofrimento emocional pela perda da filha. Mãe de uma menina de oito anos, guarda da bebê apenas um papel com as marcas dos pezinhos e uma mecha de cabelo.

 

Segundo ela, as contrações começaram na manhã do dia 27 de fevereiro, quando estava com 40 semanas e dois dias de gestação, após uma gravidez considerada tranquila e sem intercorrências. Ela chegou à maternidade por volta das 14h e foi avaliada no pronto atendimento cerca de duas horas depois, quando foi constatada dilatação de três centímetros. Após permanecer na recepção e apresentar sangramento, foi encaminhada para a ala de parto normal.

 

Nesse momento, Tamires conta que pediu para realizar cesárea, mas recebeu a orientação de tentar o parto normal, já que mãe e bebê estavam bem e o colo do útero estava “fino”. Mesmo com o aumento da dilatação e das dores, o parto não evoluía. Após a troca de plantão, por volta das 19h, ela autorizou que uma enfermeira rompesse a bolsa.

 

Com dores cada vez mais fortes, solicitou analgesia — procedimento utilizado para aliviar dores intensas sem causar perda de consciência. Para isso, precisou ser transferida de quarto e o procedimento ocorreu apenas por volta das 23h, quando um anestesista chegou ao local e a dilatação já estava em nove centímetros. Ao pedir novamente a cesárea, afirma ter ouvido que havia três gestantes na frente.

 

Cerca de uma hora depois, com o retorno das dores, enfermeiras tentaram novamente o parto normal. Segundo Tamires, a cabeça da bebê chegou a aparecer, mas recuou. Após nova tentativa, a equipe tentou ouvir os batimentos cardíacos da criança, sem sucesso. O médico cirurgião foi chamado com urgência e ela foi levada ao centro cirúrgico.

 

No local, recebeu anestesia e, cerca de 15 minutos depois, Sara nasceu. A bebê já estava sem vida. De acordo com a mãe, a equipe tentou reanimação por cerca de 40 minutos. Ao mesmo tempo, devido às lesões graves no útero e na bexiga, Tamires perdia muito sangue e precisou aguardar, sedada, a chegada de um urologista para passar por cirurgia de emergência.

 

Somente neste domingo, após receber cinco bolsas de sangue e permanecer nove dias internada, ela recebeu alta. “Se tinha três emergências, por que quando minha bebê parou de respirar o médico apareceu rápido”, questiona Tamires. “A gente fez de tudo para que a lei fosse cumprida”, lamenta o avô da bebê, Edson Luiz de Lima Brancaglião. “Se ela tivesse sido atendida, a Sara estaria aqui com a gente”.

 

Além de registrar um boletim de ocorrência, Edson afirma que se reuniu com a diretoria da maternidade e com uma assistente social do hospital em busca de esclarecimentos, mas diz que recebeu respostas consideradas protocolares. “Só a gente sabe a dor que estamos sentindo. É uma coisa imensurável”, declara.

 

Resposta

 

Em nota, a Maternidade Santa Isabel informou que lamenta profundamente o ocorrido e que foi aberta uma sindicância interna para apurar o caso. A unidade também informou que Tamires recebeu alta no domingo (8) com quadro de saúde estável. “A diretoria da unidade reforça que está à disposição da paciente e dos familiares para prestar os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido”, declarou.

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